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Coragem e Inteligência Emocional






Luciana Seluque, Coragem e Inteligência Emocional, Comportamento, Soft Skills

O sentido de coragem está mais relacionado com a ousadia de lutar por princípios do que com a ideia de ausência de medo!


Em um artigo de julho de 2018 a revista americana Forbes pergunta: Por que a Coragem Emocional é essencial para grandes lideres?

Por que em alguns momentos lideres se tornam vulneráreis ao ambiente volátil e desafiador das organizações? Como o aspecto emocional se relaciona, ou interfere, nessas situações?

A palavra coragem vem do latim coraticum que significa agir com o coração. É a capacidade de agir apesar do medo. Alguns filósofos associam a coragem com a ética! 

Para Aristóteles coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras. Platão entende que coragem é a força que mantém sempre a opinião justa e legítima sobre o que é necessário temer e não temer.

De acordo com o escritor François La Rochefoucauld a verdadeira coragem está em fazermos sem testemunha o que seríamos capazes de fazer diante de todo mundo.

O filósofo Jean-Paul Sartre salienta que TODOS nós temos medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem. Segundo o CEO Peter Bregman, a coragem emocional é a vontade de sentir. E é a força motriz por trás de qualquer coisa importante que realizamos.

Já a mero mortal Luciana Seluque arrisca dizer que o sentido de coragem está mais relacionado com a ousadia de lutar por princípios do que com a ideia de ausência de medo! Tempero minha afirmação com as considerações da escritora Clarice Lispector que acredita que coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante. Ela comenta também que a vida é um soco no estômago!

Pegando o gancho do “soco no estômago” e costurando com as outras ideias oferecidas até aqui eu refaço a pergunta da Forbes: Por que a Coragem Emocional é essencial para grandes lideres? Complementando a indagação da Forbes eu provoco nossas reflexões com outro questionamento: Como a Inteligência Emocional pode ajudar lideres a encontrar sua coragem?

A neurociência afirma que o nosso cérebro é um órgão emocional e que as nossas emoções são a base para o nosso comportamento. Em outras palavras, cada um de nossos comportamentos é o resultado da atividade de circuitos cerebrais formados ao longo da nossa vida.

No artigo da Forbes, o CEO Peter Bregman afirma que não importa se você quer ser emocional ou não, você, simplesmente, é emocional! Ele conclui a afirmação acima dizendo que é impossível não ter centenas de emoções passando por nós em um dia de trabalho normal. Que a qualquer momento podemos sentir felicidade, frustração, zanga, ciúmes, melancolia, tristeza, medo, excitação, inspiração e vários outros sentimentos. Isso é o que significa ser um ser humano e que quando tentamos esconder esse fato nos tornamos não confiáveis e imprevisíveis.  Termina dizendo que as emoções que não identificamos são as que entram no nosso caminho muitas vezes de forma passiva, agressiva e sorrateira prejudicando nosso comportamento, performance e relacionamento interpessoal.

Traduzindo de forma simples tudo o que foi falado até o momento, o nosso cérebro nos torna quem somos e a ideia de NÃO sermos seres emocionais no trabalho é um paradigma a ser quebrado! Nós, simplesmente, SOMOS seres emocionais seja na vida profissional ou na vida pessoal!

Caminho para o final do texto dizendo que um profissional que consegue identificar com clareza suas emoções e gerenciar seus sentimentos sabe canalizar e ajustar melhor seu comportamento com o ambiente VUCA das organizações. Para quem ainda não conhece, VUCA é o acronimo para volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity).

Esse profissional tem mais habilidade com mudanças repentinas, resolve os conflitos com menos impulsividade, administra melhor o estresse diário, é mais focado, assertivo, resiliente, amigável, colaborador, motivado e se relaciona melhor com os seus “stakeholders”.

Afirmo que lideres bem-sucedidos tem Coragem e Inteligência Emocional desenvolvidas! Termino o texto com um pensamento de Martin Luther King que diz:

"É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder.
Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver!"

Desejo a você coragem, paz e bem!
Lu Seluque